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Como a Psiquiatria pode se aliar ao tratamento de câncer de mama?


A iniciativa Outubro Rosa tem o objetivo de conscientizar a população, principalmente as mulheres, sobre o câncer de mama. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde - OMS, a doença acomete cerca de 2 milhões de mulheres por ano no mundo. Já o Instituto Nacional do Câncer - INCA aponta que essa é a maior causa de mortalidade decorrente de câncer entre o sexo feminino no Brasil.


Além de afetar a saúde física, o câncer também impacta a saúde mental. "A oncopsiquiatria é o segmento da especialidade que vai ajudar a paciente a lidar com os possíveis transtornos mentais recorrentes do diagnóstico, como o transtorno de ajustamento, estresse pós-traumático, quadros ansiosos e, até mesmo, depressivos", ressaltou a Dra. Christiane Ribeiro, médica psiquiatra e membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da ABP, durante o programa ABP TV Especial Outubro Rosa, transmitido no dia 19 de outubro.


Para o Dr. Joel Rennó, coordenador da Comissão, o câncer, de forma geral, carrega o estigma de ser uma doença incurável e atrelada à mortalidade, mas na verdade, a maior parte dos casos tem o tratamento bem sucedido. "Com o medo da morte e as incertezas sobre o tratamento, é normal que as pacientes tenham sentimentos negativos. Precisamos observar, no entanto, se essas sensações vão se cristalizar e se tornar algum transtorno mental de fato. O trabalho do oncopsiquiatra é ajudá-las a enfrentar a doença", destacou o médico.


O especialista ainda citou um estudo realizado com 1.538 mulheres com câncer de mama e depressão, que apontou que 73% não estavam recebendo tratamento psiquiátrico. "Embora o impacto na saúde mental exista, esse cenário acontece por alguns motivos: as pacientes focam mais no tratamento dos sintomas físicos, pesquisando sobre as opções disponíveis, como radioterapia, quimio e cirurgia. Outro fator é que elas mesmas têm medo de serem estigmatizadas por mais uma doença além do câncer, então não buscam a assistência psiquiátrica", explicou Dr. Joel.


Doenças mentais e câncer de mama


Ao longo do programa, os participantes relacionaram o câncer de mama aos transtornos mentais. Os mais comuns são: Transtorno de Estresse Pós-Traumático - TEPT (6,4% das pacientes têm diagnóstico e 75% possuem sintomas da doença); Depressão (acomete 9% das pacientes), e Transtornos de Ansiedade (44% das pacientes apresentam sintomas de ansiedade).


No entanto, a Dra. Maila de Castro, também membro da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da ABP, chama atenção para a relação bidirecional entre doenças clínicas e psiquiátricas: da mesma forma que mulheres com câncer podem desenvolver transtornos mentais, o contrário também acontece. "O abuso de substâncias é um fator de risco para o aparecimento do câncer de mama, assim como as pacientes com transtornos mentais graves, como Esquizofrenia e Transtorno Bipolar, també têm um maior quadro de mortalidade associado ao câncer de mama. Como psiquiatras, é muito importante saber disso, já que nossos pacientes estão mais vulneráveis às doenças clínicas", ressaltou.


ABP TV Especial Outubro Rosa


Semanalmente, o ABP TV aborda temas relevantes para a sociedade através do olhar científico. O programa acontece às terças-feiras, às 20h30, e conta com a participação dos psiquiatras associados da ABP. A edição "A oncopsiquiatria e o câncer de mama" foi exibida no dia 19 de outubro com o Dr. Joel Rennó, coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da ABP, e as Doutoras Christiane Ribeiro e Maila de Castro, ambas integrantes da Comissão.


As transmissões desta e de outras edições ficam disponíveis no nosso canal do YouTube e nos nossos perfis no Facebook e Instagram. Assim, você pode assistir quando e quantas vezes quiser!