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Nota de falecimento: Dr. Luiz Carlos Mabilde


É com imenso pesar que a Associação Brasileira de Psiquiatria vem a público comunicar o falecimento do seu ilustre associado Dr. Luiz Carlos Mabilde, ocorrido hoje, 13 de janeiro de 2021, aos 76 anos.


Ex-presidente da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, o Dr. Mabilde - como era conhecido - também atuava como professor/supervisor convidado dos Cursos de Especialização em Psiquiatria, Psicoterapia e Supervisão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.


Em julho de 2013, foi homenageado pela ABP na campanha Orgulho de Ser Psiquiatra, enviando um texto de sua autoria sobre a escolha da especialidade e da atuação como psicanalista, confira abaixo.


A ABP orgulha-se por ter tido o Dr. Luiz Carlos Mabilde em seu quadro associativo e solidariza-se com seus familiares e amigos pela perda.


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"Orgulho de Ser Psiquiatra


Por Luiz Carlos Mabilde


Já no primeiro ano da Faculdade de Medicina, da UFPEL, decidi que iria ser Psiquiatra. Foi uma conclusão interna, consequência de profunda identificação com a prática médica e com a área de atuação da Psiquiatria. O curioso foi a inesperada sensação de orgulho e tranquilidade do momento, seguidas de dedicação à especialidade, as quais me acompanham até hoje. No segundo ano, meu pai – Médico Ortopedista e Professor da UFRGS – disse a seus colegas e alunos, depois de visita à sua enfermaria com ronda pelos pacientes: “Este não vai ser Ortopedista”! No sexto ano, ao me apresentar para o estágio/seleção para a Residência/Curso de Especialização em Psiquiatria da UFRGS, na antiga divisão Melanie Klein, do Hospital São Pedro, em Porto Alegre, empreguei-me com afinco, certo de que ali deveria permanecer para seguir estudos e práticas, já iniciadas em Hospital Psiquiátrico e no Manicômio Judiciário.


Durante o curso da Melanie – concluído em 1976 – meu desejo de conhecer o ser humano, em seu funcionamento psíquico normal e patológico, aumentou verticalmente. Tive certeza da importância crucial do psiquismo em relação ao corpo, ao outro, e demais vicissitudes da vida humana. Dependia dele os predicados da inteligência e do afeto, assim como da infinita capacidade de sentir dor. Em 1975, comecei a me analisar. Queria saber como era exatamente ser paciente. E me interessavam pacientes, cada vez mais, pacientes. Trabalhei anos como psiquiatra no Hospital Espírita, no Instituto Psiquiátrico Forense, no Centro de Reabilitação Profissional do INSS, no Hospital de Clínicas, além do consultório particular.


Na hora de decidir entre Psiquiatria biológica ou dinâmica, entre carreira universitária ou formação psicanalítica, tive a mesma fortuna do início profissional. Foi natural a segunda opção, mas sempre considerei e exerci a Psicanálise integrada à Psiquiatria. Como tal, em 1987, me tornei Psicanalista e também iniciei atividades como Professor/Supervisor Convidado dos Cursos de Especialização em Psiquiatria, Psicoterapia e de Supervisão do CELG/UFGGS. Já em 1990, depois de quatro anos como Editor da Revista de Psiquiatria RS, quiseram meus colegas que, desta vez, eu ocupasse, por mais quatro anos, a Presidência da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. No meu primeiro mandato, brotou o ‘Primeiro Congresso Gaúcho de Psiquiatria’ (hoje denominada Jornada, já em sua 11ª edição). No mandato seguinte, consegui trazer para o RS e organizar, junto a valiosos colegas, pela primeira vez, o XII Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Ao tornar-me Psicanalista Didata da SPPA, em 1994, meu pai acrescentou ao seu presente: "- Salve o nosso psiquiatra, agora Analista Didata. Tu escolheste a especialidade certa: tudo depende da mente!”. Se já era orgulhoso de ser Psiquiatra, fiquei ainda mais!


Para mim, a perspectiva da Psiquiatria depende da